FOMENTO DA DENDEICULTURA EM ANGOLA ATRAVÉS DA MULTIPLICAÇÃO DE MUDAS DE VARIEDADES LOCAIS


DENDEICULTURE PROMOTION IN ANGOLA THROUGH THE MULTIPLICATION OF LOCAL VARIETY CHANGES

Célcio Gaspar Luamba1, Isaú Alfredo Bernardo Quissindo2

1Director da Estação Experimental Agrícola do Kilombo, Instituto de Investigação Agronómica, Ndalatando, Cuanza Norte, Angola. E-mail: celciogasparluamba@gmail.com.

2Docente da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade José Eduardo dos Santos, Chianga, Huambo, Angola. E-mail: josuealf.2011@hotmail.com.

RESUMO

A prática da dendeicultura em Angola é vista desde o passado pelo aproveitamento dos frutos e de outras partes vegetais da palmeira para o fabrico de bens como óleo ou azeite de dendém, o vinho ou leite de palma (vulgo maruvo), a vassoura, a esteira, o girão e outros bens de artesanatos. Dada a importância cultural e socioeconómica da palmeira de dendém (Elaeis guineensis jacq.) a Estação Experimental Agrícola do Kilombo, Ndalatando, Cuanza Norte desenvolveu um programa de fomento à cultura onde este estudo está inserido. A pesquisa visa divulgar as acções técnico-científicas desenvolvidas pela estação no âmbito do programa de fomento da dendeicultura em Angola através da multiplicação de 100 000 mudas de variedades locais (dura, tenera e picifera), provenientes da Província do Uíge. As sementes foram colectadas sem qualquer sistematização e selecção, tendo sido utilizado o desenho experimental em blocos inteiramente casualizado. O processo de aceleração da germinação foi feito através do método de cofres de germinação através do aproveitamento de acção de calor. Onde se utilizou como substrato, o carvão vegetal. Foi utilizada uma composição natural de matéria orgânica seca, decompositores naturais e adubo composto 12-24-12 (NPK). A preparação das sementes foi através da despolpa do fruto e imersão em água até amolecer, bem como da eliminação de detritos de polpa e fibras. A preparação do terreno para o viveiro foi através da limpeza da zona e da abertura no solo de 5 (cinco) cofres de forçagem de germinação. A monitorização do processo de forçagem foi feita, diariamente, através do controlo da temperatura com um termómetro. As primeiras sementes germiram após 45 dias da sementeira; o poder germinativo foi de 33 %.

Palavras-Chave: Palmeira dendém; Fomento; Azeite, Estação Experimental Agrícola do Kilombo.

ABSTRACT

The practice of oil palm cultivation in Angola has been seen since the past by using fruits and other vegetable parts of the palm to manufacture goods such as palm oil or oil, wine or palm milk (commonly known as maruvo), the broom, the mat , girão and other handicraft goods. Given the cultural and socioeconomic importance of the dende palm (Elaeis guineensis jacq.), The Kilombo Agricultural Experimental Station, Ndalatando, Cuanza Norte, developed a program to promote culture where this study is inserted. The research aims to disseminate the technical-scientific actions developed by the station as part of the oil palm development program in Angola through the multiplication of 100,000 seedlings of local varieties (dura, tenera and picifera), from the Province of Uíge. The seeds were collected without any systematization and selection, using a completely randomized block design. The germination acceleration process was carried out using the germination safes method, using heat action. Where charcoal was used as a substrate. A natural composition of dry organic matter, natural decomposers and compound fertilizer 12-24-12 (NPK) was used. The preparation of the seeds was through the pulping of the fruit and immersion in water until it softened, as well as the elimination of pulp and fiber debris. The preparation of the land for the nursery by cleaning the area and opening 5 (five) germination forcing safes in the soil. Monitoring of the forcing process was carried out daily by controlling the temperature with a thermometer. The first seeds germinate after 45 days of sowing; the germination power was 33%.

Keywords: Palm tree; Promotion; Olive Oil, Kilombo Agricultural Experimental Station.

INTRODUÇÃO

O dendezeiro (Elaeis guineensis), também conhecido como palmeira-de-dendé, coqueiro-de-dendê, dendê, palmeira-de-óleo-africana, ou, simplesmente, dendém e palmeira-dendém (em Angola), é uma palmeira originária do Golfo da Guiné na Costa Ocidental da África, cujo fruto é conhecido de dendém, e seu óleo (utilizado para fins alimentares e medicinais em Angola) como azeite de dendém ou óleo de palma (Nazareno et al., 2015).

Do ponto de vista espacial, sua distribuição em povoamentos subespontâneos vai do Senegal ao território angolano. Em Angola, as palmeiras são uma vegetação característica do Norte e dos planaltos.

A tradição no seu cultivo e aproveitamento explica a razão de em 2010 atrair parceiros do Ministério da Agricultura provenientes da Indonésia e da Malásia, que assinaram um acordo para explorar sementes de palmeiras-dendém no País, em busca de um novo germoplasma para seus programas de melhoramento de sementes (World Rainforest Movement, 2010; Nazareno et al., 2015).

Entretanto, o fomento da prática da dendeicultura no País deve-se também a necessidade de aumento da produção interna, dado o valor dos produtos e subprodutos advindo da palmeira dendém.

Dados históricos apontam que tanto o azeite quanto o vinho de palma fazem parte da cultura dos povos que habitam o território angolano. Sabe-se, por exemplo, que na época de chegada dos portugueses à região, os povos guerreiros nómadas Jagas já extraíam vinho das palmeiras. Em Angola o vinho de palmeira é conhecido como “maruvo” (São Ricardo, 2019).

Assim, a palmeira dendém é uma importante cultura, quer a nível local, nacional como regional. Considerada uma das que fazem parte das espécies que caracterizam a Estação Experimental Agrícola do Kilombo, o fomento à cultura pode minimizar a importação do azeite de palma, obtido do fruto de palmeira, criação de postos de emprego, garantir o sustento de diversas famílias, reduzindo assim a pobreza extrema que assola o País; além disso, acções de industrialização e venda do produto poderão contribuir para o aumento do PIB nacional.

O presente estudo insere-se no programa de fomento à cultura da palmeira dendém que está sendo desenvolvido pela Estação Experimental Agrícola de Kilombo em Ndalatando (Cuanza Norte) afecta ao Ministério da Agricultura e Pescas de Angola.

O programa visa não apenas incentivar a produção de azeite de polpa de palmeira dendém, como também fomentar a exploração acentuada da cultura na região, como se tem verificado, para fins de fabrico de leite de palmeira (maruvo) e outros derivados resultantes da exploração de suas folhas para fabrico de bens de artesanato e não só, como a vassoura, a esteira, o girão e outros bens.

Portanto, esta pesquisa visa divulgar as acções técnico-científicas desenvolvidas pela Estação Experimental Agrícola de Kilombo no âmbito do programa de fomento da dendeicultura em Angola através da multiplicação de mudas de variedades locais, patrocinado pelo Ministério da Agricultura e Pescas de Angola.

MATERIAL E MÉTODOS

Área de Estudo

O estudo realizado teve seu início em Agosto de 2020, em Angola, com realce as Províncias do Uíge (onde se fez a colecta das sementes) e do Cuanza Norte (onde foi instalado os cfres de forçagem de germinação e viveiro), destacadas na figura 1 com um círculo e retângulo, respectivamente. O territorio angolano localiza-se na costa Sudoeste de África, Angola e aproximadamente quadrada, situando‑se entre os 4° 22’ e 18° 02’ de latitude Sul e os 11° 41’ e 24° 05’ de longitude Leste. E limitado a Oeste por 1600 km de litoral árido ao longo do Oceano Atlântico; a Norte, pelos ecossistemas de floresta húmida e savana da República do Congo e da República Democrática do Congo (RDC); a Leste, pelos ecossistemas de savana e floresta húmida da RDC e da Zâmbia; e por florestas áridas, savanas e deserto ao longo dos 1200 km da sua fronteira meridional com a Namíbia (Diniz, 2018).

Clima

Para Duarte et al., (2014), o clima e fortemente sazonal, com Verões quentes e húmidos (outubro a maio) e Invernos amenos e frios (junho a setembro). Algumas estacões meteorológicas no Norte de Angola registam dois picos de precipitação, no inicio e no final do Verao, muitas vezes com um breve período mais seco a meio do Verão (conhecido como pequeno cacimbo). Semi-árido no sul e ao longo da costa até Luanda; o norte tem estação seca e fria (maio a outubro) e estação quente e chuvosa (novembro a abril).

Solo

A história geológica e a génese dos solos de Angola são complexas e estão inter‑relacionadas, influenciadas pela precipitação, drenagem, evaporação e vento. Mateus et al., (2019) apresentam um mapa e perfil estratigráfico da geologia angolana que resume as principais características geológicas do país. A predominância de uma ampla faixa de sistemas pré‑câmbricos ao longo da margem ocidental do país, com sistemas cenozóicos a ocupar a maior parte da metade oriental, é impressionante. Mais de três quartos de Angola (Fig. 2) estão cobertos por dois grupos principais de solos, os arenossolos e os ferralsolos, conforme Mateus et al., (2019) e Ricardo et al., (2006).

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